• Carol Ussier

Akosombo e Atimpoku: local do maior lago artificial do mundo


Esse é mais um daqueles destinos que dá para conhecer em apenas um dia, mas que você provavelmente vai querer ficar mais tempo. Claro que isso depende do seu estilo de viagem. Se você busca um lugar para relaxar, se quer um refúgio perto de Accra, se gosta de pescar ou de observar aves ou se gosta de grandes obras de engenharia, então você precisa conhecer esse lugar.

Akosombo é uma cidade que possui 15 mil habitantes e fica na divisa entre as regiões Eastern e Volta. A cidade é famosa pela barragem de mesmo nome (Akosombo Dam), que além de ser a principal fonte geradora de energia do país também é a responsável pela formação do maior lago artificial do mundo (Lake Volta). O vilarejo vizinho – Atimpoku – é bem menor mas possui mais opções de hospedagem e também opções mais baratas do que em Akosombo.


Eu saí de Accra em um sábado de manhã, pela estação Madina. A viagem de tro-tro (van estilo “lotação”) durou 1h50 e custou GHS 11,50. Minha ideia era passar dois dias descansando muito e por isso escolhi um hotel que fica à beira do rio e que eu sabia que seria fácil de chegar.

​Fui acompanhando o percurso pelo google maps e quando vi que estávamos próximos ao hotel pedi para o motorista parar (ele me deixou em frente à entrada do hotel). Logo de cara eu sabia que tinha feito a escolha certa e que teria um final de semana de muita paz (só não sabia que seria de chuva também). ​ O hotel em que me hospedei fica em Atimpoku, logo após a ponte suspensa e chama "Aylos Bay".

Era horário de almoço já e as refeições normalmente demoram para ficar prontas em Gana. Por isso assim que cheguei, antes mesmo de ir para o quarto, já decidi o que queria. Pedido feito, era hora de conhecer o quarto. Eu escolhi ficar em um dos quartos que ficam à beira do rio e eu super recomendo essa opção (principalmente se estiverem em duas pessoas, compensa muito). Olha a vista da varanda do quarto!



Enquanto eu almoçava em um dos píers e pensava em qual seria a “programação” do final de semana, um canoeiro se aproximou de mim (pela rio mesmo) e explicou sobre os passeios no rio. Ele não precisou nem se esforçar para vender seu serviço, eu já estava convencida desde o momento em que ele disse “oi”. O meu dinheiro em espécie estava acabando e por isso eu pretendia ir naquele dia até Akosombo – o local mais próximo com caixa eletrônico. Por isso combinei com o rapaz de fazer o passeio no dia seguinte assim daria também para confirmar com o pessoal do hotel se era adequado. ​ Depois do almoço decidi ir tirar dinheiro e aproveitar para visitar a hidrelétrica (é possível fazer uma visita guiada por GHS 20). Esperei na frente do hotel por um tempo e logo consegui parar um táxi coletivo, que me levou até o caixa eletrônico mais perto por GHS 1. Aqui em Gana além dos tro-tros também é muito comum se deslocar com táxis compartilhados. Quando fui sacar o dinheiro começou o primeiro imprevisto do dia: o caixa eletrônico estava quebrado. Sem opção, continuei andando à beira da estrada até o próximo caixa, que estava a menos de 5 minutos para minha sorte. Consegui sacar o dinheiro e parei mais um táxi pedindo para me levar até a hidrelétrica. Mas aí veio o segundo imprevisto: naquele horário já não seria mais possível visitar a barragem. Eu insisti dizendo que então só queria ir até um local que desse para vê-la, mesmo que de longe, mas o taxista não quis cooperar. E então o terceiro imprevisto: chuva! Foi a primeira vez em Gana que vi chuva durante o dia e confesso que eu estava completamente despreparada. Eu não tinha nenhum tipo de proteção para a chuva o que não seria um problema se eu não estivesse com minha câmera fotográfica. Por sorte um casal também tinha parado para sacar dinheiro e me ofereceu carona de volta até o hotel.

​Quando a chuva parou já era quase hora do jantar. Tomei um banho bem gostoso de água em temperatura ambiente e pela primeira vez desde que cheguei ao país coloquei um casaco! Confesso que fiquei feliz.



​Meu jantar foi novamente à beira do rio, ouvindo sapos, aves e infelizmente o som alto do hotel vizinho. Antes da viagem eu tinha lido um relato falando justamente que o hotel era uma delícia mas que o hotel vizinho fazia muito barulho E infelizmente isso procede.

​Eu tinha me planejado para acordar bem cedo no dia seguinte e ver o nascer do sol, mas não foi dessa vez. O barulho de chuva caindo foi o sinal que eu precisava para dormir mais um pouco. Durante o café da manhã no píer eu vi que o barqueiro do dia anterior já estava rondando por ali. Quando deu o horário combinado, fui até o píer que fica atrás dos quartos e me juntei a ele.

​O passeio de canoa foi uma experiência bem legal. Além de ter nadado pela primeira vez em um rio na África, achei interessante observar a vida nos vilarejos de um outro ponto de vista. Você pode combinar a duração que quiser com o barqueiro, mas quanto mais tempo, mais caro. Cada meia hora de passeio custa GHS 30. Eu fiz 1h e recomendo fazer pelo menos isso. Como é uma canoa e não um barco motorizado, 30 minutos não dá para ver muita coisa.

Nós fomos para o sul, no sentido da ponte suspensa (é a única de Gana). Contornamos 3 ilhas – sim, o rio é tão grande que tem várias ilhas – passamos pelo meio de vegetações, eu saltei da canoa e nadei um pouco e depois retornamos ao hotel. Na volta o barqueiro perguntou se eu gostaria de saltar da ponte. Eu fiquei com muita – muita mesmo – vontade, mas não iria saltar sem ver alguém fazendo isso antes e provando que era seguro. Não foi dessa vez, quem sabe em uma próxima. Para quem quiser, o barqueiro que fez o passeio comigo chama John e o telefone dele é: +233 55 301 8828 . Ele deve ficar sempre em frente ao hotel pois outros amigos foram em outra época e também conheceram o John.

Já era quase horário do check-out quando retornei ao hotel. Corri tomar um banho rápido, arrumar as coisas e sair do quarto. Como o check-out é cedo (meio dia) decidi tentar mais uma vez ver a barragem. Era domingo e eu já sabia que não daria para fazer a visita, mas eu queria pelo menos vê-la já que estava tão perto. Peguei mais uma vez um táxi coletivo e desta vez pedi para ser deixada no Volta Hotel Akosombo, de onde eu sabia que seria possível ver a barragem. O hotel parece ser meio chique e bem caro, mas se você estiver viajando nessas condições eu recomendo! Tem uma estrutura ótima e além de tudo o restaurante tem uma vista linda da barragem. Eu arriscaria dizer que é o melhor lugar para isso.



Decidi almoçar por ali mesmo e acabei me arrependendo da escolha. Era a primeira vez em 30 dias que eu ia comer carne e pedi um carbonara com água na boca. Eu recebi um prato de miojo, sem sal, com uns pedaços horríveis e enormes de bacon. Mas se te interessa saber, os pratos da mesa ao lado pareciam mais apetitosos. ​ Depois do almoço comee dcei minha jornada de volta a Accra. Mais 2h na estrada – na viagem mais interessante de tro-tro que já fiz até o momento (com brigas, alagamento iscussões sobre feminismo) – e eu estava em casa, pronta para mais uma semana de trabalho e já pensando no próximo destino.

Dicas práticas

Como chegar lá?

Chegada: pegue um tro-tro para Akosombo e peça para o motorista parar perto do seu hotel. Existem tro-tros saindo de Accra, Koforidua e de Volta Region (Ho e Ho-hoe). Volta: os tro-tros saem da rotatória de Atimpoku, no início da ponte suspensa. Se você estiver mais perto de Akosombo, terá que pegar um táxi compartilhado de lá até a rotatória.

Onde se hospedar?

Aylos Bay (onde fiquei): GHS 240 pelo chalé, GHS 180 quarto sem vista ou GHS 30 para camping, com café da manhã. Telefone para reservar: + 233 24 337 4443. Outras opções que eu recomendo:

#Gana #Natureza #África

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Ana Carolina Ussier

Uma mulher viajante, com sol em aquário e lua em sagitário. Tenho muitas versões: engenheira por formação, gerente de projetos por convicção e dançarina por vocação, mas acima de tudo uma grande incomodadora inconformada. Apaixonada por inclusão social e pelo universo feminino. Vivendo pela África Ocidental desde 2017, agora sem residência fixa.

 

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