• Carol Ussier

Puno: para turista ver ou turismo vivencial?


Minha primeira parada no Peru foi a cidade de Puno, que fica a pouco mais de 3h da fronteira com a Bolívia. Eu nunca tinha ouvido falar desta cidade até começar a me planejar para o mochilão. Para muitas pessoas ela serve apenas como parada para a troca de ônibus entre a Bolívia e Cusco (ou outras cidades no Peru, como Arequipa ). Há muitas opiniões divergentes sobre Puno: alguns voltam encantados com o tour vivencial que fizeram e muitos afirmam ser apenas um teatro, para turista ver. Eu acabei optando por ficar um tempo por lá e construir a minha própria opinião. ​

Barco de totora nas Islas Uros

Quem sai de Copacabana com destino a Cusco/Arequipa obrigatoriamente terá que descer em Puno. Algumas empresas até fazem o trajeto Copacabana/ Cusco "direto", mas ainda assim haverá uma parada em Puno. Nós saímos 13:30 de Copacabana e chegamos na rodoviária de Puno 15:30 (o fuso horário do Peru é uma hora atrás). A Fla e o Lucas (que conheci no salar de uyuni) decidiram seguir viagem a Cusco e eu fiquei por lá. ​

Peguei um táxi na rodoviária com direção ao Cozy Hostel, onde eu já tinha reservado uma noite - com o braço direito quebrado (descubra como) eu estava bem mais preguiçosa. Ele é bem aconchegante, bem perto da rua principal da cidade (e a única que eu recomendo para andar) e com um preço razoável - USD 9 a noite em quarto compartilhado, com café da manhã e chá de coca disponível 24h por dia. Puno tem basicamente dois perfis de viajantes/turistas: jovens mochileiros ou grupos de europeus (daqueles do estilo CVC, que todo mundo anda junto, tem kit de viagem, etc). Eu senti que para este segundo grupo o foco era conhecer o lago Titicaca (a maioria dos tours não incluía a Bolívia). Se esse for o seu caso, a minha recomendação é esticar 2 dias a mais a sua viagem e ir até Copacabana/Isla del Sol no lado boliviano do lago (saiba por quê). Já para o grupo dos jovens mochileiros, em sua maioria viajando sozinhos como eu, a grande atração de Puno é o tal do turismo vivencial. ​

Mas o que é turismo vivencial?

A cada dia mais na moda, o turismo vivencial é uma forma de viajar se conectando com as comunidades locais. Ao invés de se comportar como turista, o objetivo é vivenciar a cultura como se fosse uma pessoa local, ficando em casas de pessoas locais e praticando as suas atividades. Puno é o ponto de partida para 3 lugares com "turismo vivencial": as Islas Uros, a isla Taquille e a isla Amantani. ​Eu conheci os 3 lugares e em resumo minhas impressões foram:

Islas Uros: é um conjunto de ilhas flutuantes feitas com totora, uma espécie de palha. Alguns anos atrás havia uma comunidade morando nessas ilhas. Talvez até existam famílias que ainda vivem dessa maneira, mas onde o barco leva os turistas não é um desses lugares. A partir do minuto 1 que você pisa na pequena ilha já querem te cobrar/te vender algo. É interessante pisar em uma ilha flutuante, porém a minha sensação é de que hoje em dia aquilo é 100% para turista ver (achei furada!)

Ilhas flutuantes de Uros

Isla Amantani: é a ilha em que a maioria dos pessoas passa uma noite. A maioria das população da ilha vive da agricultura e do turismo, em um sistema de revezamento. A cada semana um grupo de famílias recebe os turistas em sua casa. Eu adorei a experiência: foi o melhor pôr-do-sol que vi em toda a viagem, o céu mais estrelado (nessa ilha o acesso a energia elétrica é mais restrito do que na Isla del Sol) e eu fui super bem recebida por um casal querido, que me ofereceu almoço, jantar e café da manhã (fiquei na casa do Andres e da Flora). Depois do jantar todas as famílias que estão com turistas em casa organizam uma noite de dança e música e a Flora ficou super feliz em ver que eu estava dançando mesmo com o braço quebrado.

Noite de dança típica com a querida Flora, que nos recebeu em sua casa

Pôr do sol no santuário Pachatata - Isla Amantani

Isla Taquille: tem um visual bem bonito do lago Titicaca e por sorte eu estava com um guia que explicou muitas curiosidades sobre os povos daquela região. Não achei imperdível, mas para quem está em Amantani vale a pena dar uma esticada até essa outra ilha. ​

Resumindo: ir ou não e como ir?

O ônibus chega em Puno por volta de 15:30 e é possível contratar um tour/barco para ir apenas até as ilhas flutuantes (Uros) e voltar no fim da tarde, seguindo sua viagem no mesmo dia. Mas o meu conselho é: se você tem pouco tempo e queria encaixar isso correndo, não o faça! Na minha opinião é gastar dinheiro/tempo sem retorno. Porém se der para encaixar 2 dias a mais no seu roteiro, eu recomendo fazer o tour de 2 dias/1 noite para as 3 ilhas que mencionei. O tour sai por volta de 7h da manhã. Eles me buscaram no hostel e me levaram até o porto. De lá fomos para as ilhas Uros (furada!) e depois seguimos para a ilha Amantani. Chegamos para o almoço e ficamos até o café da manhã do dia seguinte. No segundo dia o barco te leva até a ilha Taquille e retorna a Puno por volta de 15h. É possível fazer por conta própria? Sim! Mas somando os valores de cada trajeto de barco o preço final fica quase o mesmo do tour (120 soles). Aí fica por sua conta decidir. Se optar pelo tour é super fácil contratá-lo em qualquer hostel, na rodoviária ou no porto. ​

Turismo vivencial ou para turista ver?

Bom, acho que no fundo é um mix dos dois! Com certeza é uma indústria montada para o turista. Mesmo em Amantani, fica claro que hoje a ilha é adaptada para os turistas e não necessariamente vemos os costumes locais. De qualquer forma, as famílias que te recebem dependem desse dinheiro para viverem e não custa ajudá-los em troca de muita hospitalidade e tranquilidade. E eu confesso que amei dançar com eles, mesmo sabendo que era para turista ver =)

Santuário de Pachatata - Isla Amantani

#Peru #Turismovivencial

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Ana Carolina Ussier

Uma mulher viajante, com sol em aquário e lua em sagitário. Tenho muitas versões: engenheira por formação, gerente de projetos por convicção e dançarina por vocação, mas acima de tudo uma grande incomodadora inconformada. Apaixonada por inclusão social e pelo universo feminino. Vivendo pela África Ocidental desde 2017, agora sem residência fixa.

 

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