• Carol Ussier

La Paz: guia prático


Sem dúvida La Paz passou longe de estar entre os melhores lugares dessa viagem. A cidade, porém, é parada obrigatória para quem deseja fazer alguns dos tours mais famosos da Bolívia. É de lá que saem os passeios para o Chacaltaya (que já foi a estação de esqui mais alta do mundo), o Downhill da Estrada da Morte, o Valle de la Luna e o sítio arqueológico de Tiwanaku. La Paz também serve de base para quem vai fazer o trekking a Huayna Potosi. Antes de contar sobre a minha experiência em La Paz decidi falar um pouco sobre os tours que mencionei, para depois vocês entenderem porque eu decidi não fazê-los (foi uma escolha totalmente pessoal, baseada em todo o resto do roteiro). ​​

La Paz foi a primeira cidade em que eu vi grupos de viagem, daqueles com pacote fechado (estilo CVC), sabe? Tinha MUITOS turistas e de absolutamente todas as idades. Os principais destinos procurados por quem está nesta cidade são: * CHACALTAYA: é uma montanha nevada que fica cerca de 30 km de La Paz e onde já esteve a estação mais alta de esqui do mundo (hoje desativada). A visita normalmente é feita com uma agência de turismo e dura apenas meio período. O ônibus sobe até a base da estação, a cerca de 5.300 m de altitude. Para checar ao topo da montanha, são apenas 200 m de subida caminhando mas vale lembrar que você estará a mais de 5.000 m de altitude (por isso é legal estar bem aclimatado antes do passeio). Também é possível ir de maneira independente, com taxi. * VALLE DE LA LUNA: o day tour ao Chacaltaya normalmente inclui outro lugar, conhecido como Valle de la Luna, que é uma região desértica com formações rochosas que lembram a superfície lunar (daí vem seu nome). Há paisagens semelhantes no deserto do Atacama e no tour do Salar de Uyuni. * HUAYNA POTOSI: outra opção para quem deseja visitar um pico nevado, mas com mais aventura do que o Chacaltaya. Para subir até o cume do Huayna Potosi (6.088 m) é necessário escalar em um trecho e é super recomendável acampar na base 1 noite. * DOWNHILL ESTRADA DA MORTE: originalmente uma estrada que conectava La Paz à Coroico, foi batizada em 1995 pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento ) como "a estrada mais perigosa do mundo" devido ao altíssimo índice de acidentes rodoviários que ocorriam ao ano. Em 2007 foi inaugurada uma nova estrada, retirando quase todo o tráfego de veículos da antiga, que acabou se tornando uma famosa atração turística. Todo ano milhares de turistas percorrem o caminho de bicicleta, contratando o passeio, que dura um dia inteiro, em uma agência local. ​

O QUE EU PLANEJEI PARA LA PAZ

Depois de muito rasurar o meu roteiro, eu decidi que dormiria apenas 2 noites em La Paz. Esse era o tempo que eu tinha disponível para a cidade, que desde o começo não havia me atraído tanto quanto outros lugares. Eu chegaria em La Paz em um dia cedinho, vindo de Uyuni em um ônibus noturno, dormiria 2 noites e no 3º dia eu pegaria um ônibus para Copacabana no início da tarde. Com apenas 2 dias e meio na região, logo de cara descartei a escalada ao Huayna Potosi. Como ele é um passeio que exige equipamentos específicos e, consequentemente, se torna caro eu já não contava com ele. Eu também não fazia questão de incluir o Chacaltaya no meu roteiro, pois já morei em uma cidade com bases de esqui (talvez para quem nunca viu neve possa ser legal). Dos passeios mais famosos de La Paz sobravam, então, o Valle de la Luna e o downhill da estrada da morte (que eu sempre quis muito fazer!). Como eu estaria chegando do Salar e já completando uma semana de viagem, optei por deixar o primeiro dia inteiro de La Paz (dia 7 da viagem) para andar pela cidade, conhecer o famoso Mercado de Bruxas, andar nos teleféricos, lavar algumas roupas e buscar agências de turismo para os próximos dias. No segundo dia por lá eu faria a estrada da morte e ainda teria a manhã do terceiro dia (dia 9) para fazer algum passeio de meio período (possivelmente ruínas de Tiwanaku ou Valle de la Luna).

O QUE EU ACABEI FAZENDO (OU "A ODISSEIA")

No sétimo dia da viagem eu deveria ter chegado a La Paz bem cedinho, por volta de 5h da manhã. Acontece que no dia anterior começou uma manifestação em Uyuni e todas as estradas para entrar e sair de lá foram bloqueadas, o que é mais comum do que pensamos. Resumo da ópera: nós levamos 19 horas entre Uyuni e La Paz e chegamos 15h da tarde. Depois de 4 dias sem banho, tirei um tempo para mim. Lavei roupa (La Paz é um bom local para isso), andei pelo mercado de bruxas, pelo centro histórico e busquei agências para fazer o Downhill. No dia seguinte eu sairia cedo e por isso acabei dormindo cedo. O segundo dia foi quase como planejado: fazer o Downhill da Estrada da Morte. Eu já tinha separado esse dia inteiro para isso, pois o tour dura 9h. Ocorreu tudo certo de início: eu cheguei na agência no horário combinado, tomamos café da manhã e saímos no horário para o ponto inicial. E por que eu disse "quase" como planejado? Aí entra o ponto interessante da história: o que eu não planejei foi cair logo no início do downhill e quebrar meu braço (o que só descobri quando já estava no Brasil). Sem conseguir mexer o braço e viajando sozinha e eu achei prudente fazer uma visita ao hospital e isso, mais uma vez, impactou o que eu planejava fazer. Eu tive que pedir liberação do seguro saúde para fazer alguns exames e como La Paz provavelmente seria o lugar com a melhor infraestrutura por pelo menos mais uma semana eu decidi pernoitar uma noite a mais por lá. Mesmo "ganhando" esse dia em La Paz não fiz muita coisa. A dor no braço, a raiva por ter caído e as idas e vindas ao hospital e à farmácia me ocuparam o dia todo. ​ Por sinal, eu realmente espero que você não precise utiliza-la, mas ai vai mais uma dica: o Unifranz é um ótimo hospital. Tudo bem que eles não acertaram o meu diagnóstico (e isso é história para outro post)... mas fui super bem atendida e fizeram tudo o que puderam para me ajudar. Resumindo: meus dias em La Paz poderiam ter sido tirados do meu roteiro mas eu conheci muita gente por lá que estava gostando. Você pode não quebrar o seu braço e acabar gostando também =). Pesquise muito antes de ir e procure pela opinião de outras pessoas, porque dessa vez eu ficarei devendo...

A única foto que tirei em La Paz: vista da janela do meu quarto no hostel.

DICAS PRÁTICAS

TRANSPORTE: De/Para Uyuni - Trans Omar De/Para Copacabana - Diana Tours (me buscaram no hostel sem custo adicional) Em La Paz é possível fazer os principais pontos a pé. Se você precisar ou for visitar regiões mais distantes, os taxis são bem baratos (entre 5 e 10 Bs). Pegar os teleféricos também é uma ótima opção e a vista lá do alto é linda. ​

HOSPEDAGEM: Loki Hostel - é famoso por ser um "party hostel", porém eu recomendo para qualquer pessoa. Existem quartos com tarifas diferenciadas para quem quer silêncio e descanso. Por outro lado, para quem está viajando sozinho é um ótimo lugar para conhecer outros mochileiros (e, sim, festejar um pouco). O restaurante/bar é excelente. ​

DICA EXTRA: La Paz é uma ótima cidade "de apoio" no meio da sua viagem. Há vários lugares baratos para lavar roupas (com serviço express), diversos bancos, supermercados grandes (o que no resto do país é difícil encontrar) e inclusive uma variedade GIGANTESCA de mercados de rua com preços beeem legais (sério, desde as tradicionais feiras de frutas e legumes, até mercado de roupas, mercado de sapatos, mercado de eletrônicos... tudo nas ruas!).

#Bolívia #Cidades

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Ana Carolina Ussier

Uma mulher viajante, com sol em aquário e lua em sagitário. Tenho muitas versões: engenheira por formação, gerente de projetos por convicção e dançarina por vocação, mas acima de tudo uma grande incomodadora inconformada. Apaixonada por inclusão social e pelo universo feminino. Vivendo pela África Ocidental desde 2017, agora sem residência fixa.

 

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