• Carol Ussier

Salar de Uyuni: tudo o que você precisa saber


O Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo e também um dos principais destinos turísticos na Bolívia. O que nem todo mundo sabe é que nos seus mais de 10.000 km² além de sal também existe a maior reserva de lítio do mundo. Que tal conhecer esse paraíso antes dele virar um pólo de extração? Eu já mostrei aqui no blog o Salar de Uyuni em fotos, portanto neste post eu tentei responder algumas das principais dúvidas de quem deseja conhecer este lugar lindo.

1. EM QUAL ÉPOCA VISITAR O SALAR?

Essa sempre foi a minha maior dúvida: conhecer o salar quando ele esta alagado e vira um espelho d'água ou ir em uma época com menores riscos? Para quem não sabe, entre os meses de dezembro e março chove muito na região e o salar fica permanentemente alagado. A fina camada de água presente faz com que toda a área do salar vire um verdadeiro espelho e é nessa época que as pessoas tiram as famosas (e maravilhosas) fotos com reflexo do céu. O que pouca gente sabe, porém, é que apesar de lindo você pode correr vários riscos, não apenas de segurança (pela condição das estradas) como também de não permitirem a entrada no salar se a camada de água estiver elevada. ​ Na minha opinião não existe uma regra, é uma questão de escolha entre a certeza de visitar o salar ou tentar vê-lo alagado. Como fui em abril, não consegui achar nenhuma parte dele alagada e mesmo assim achei tudo lindo e incrível.

2. É ESSENCIAL CONTRATAR UMA AGÊNCIA?

​Para mim a resposta é simples: sim, é essencial. A estrada é ruim na maioria dos trechos e não há infraestrutura rodoviária (nem postos de gasolina). A região foi inclusive incluída no roteiro do famoso Rally Dakar. A não ser que você já tenha experiência com esse tipo de viagem, eu não recomendo fazê-la sem uma agência especializada que possua um bom 4x4 (normalmente os melhores carros são da marca Toyota).

Carros reabastecendo gasolina durante o tour no Salar de Uyuni

Existem diversas opções oferecidas pelas agências e basicamente o que as diferencia é a quantidade de dias e seu ponto de partida. O tour de 1 dia sai da cidade de Uyuni pela manhã e retorna para esta mesma cidade no final do dia. Quem opta por fazer o tour de 3 ou 4 dias pode escolher entre 3 pontos de partida: Uyuni, San Pedro de Atacama (Chile) ou Tupiza (pouca gente conhece esta opção). Muita gente começa o tour em Uyuni e termina no Atacama (ou vice-versa). Para isso é necessário contratar um tour de pelo menos 3 dias. Uma coisa que é importante frisar é que se você tem interesse apenas em conhecer o salar, 1 dia é suficiente para isso. Na verdade, independentemente de qual tour você escolher, você visitará o Salar de Uyuni apenas em 1 dia. A diferença é que nas opções de 3 ou mais dias você visitará outros lugares também, incluindo lagoas, vulcões, formações rochosas e gêiseres. Eu fiz o tour de 3 dias e teria me arrependido se tivesse optado por fazer o de 1 apenas. ​

3. COMO ESCOLHER UMA AGÊNCIA?

A melhor forma para escolher uma agência é entrar em cada uma delas e perguntar tudo o que puder. Não é necessário contratar o tour com antecedência e eu fiz como a maioria das pessoas fazem: fechei com uma agência 3 horas antes do tour começar. A maioria das agências fica na praça principal ou nas ruas ao redor dela e abrem por volta de 7h30 da manhã. Em Sucre me indicaram a agência Cristal Tours e a minha ideia era começar por ela. Infelizmente (ou felizmente) essa agência ainda estava fechada. Enquanto eu tentava decidir em qual agência eu entraria, uma vendedora me abordou na rua e tentou me convencer a conhecer seus pacotes. Fui bem resistente de início e como ela não me deixava andar comecei a fazer perguntas. Primeiro perguntei se outras pessoas já tinham fechado o pacote e ela me disse que só faltavam 2 pessoas para fechar um carro. Depois perguntei se as outras pessoas eram casais e ela disse que tinha um casal e 2 pessoas sozinhas. Como eu estava viajando sozinha queria evitar ir em um carro só com casais (nada contra, apenas achava que seria mais difícil fazer amigos). Mesmo assim ela me convenceu e me levou até a agência, que na verdade era apenas uma portinha. ​ Logo que entrei vi que o "casal" era brasileiro e na verdade eram 2 irmãos. Eles me passaram bastante confiança e acabei já fechando com a agência sem procurar em outros lugares, pois me ofereçam um bom preço. E recomendo =). Na verdade durante o tour acabamos descobrindo que o motorista era o dono do carro e presta serviços para várias agências. O nome da agência é White Sea Expeditions e o nosso motorista/guia foi o Jedi. Tivemos 3 dias incríveis e eu não tenho como reclamar de absolutamente nada.

Sede da agência (White Sea) perto da praça principal

Sede da agência (White Sea) perto das empresas de ônibus

4. QUANTO CUSTA?

O valor do tour de 3 dias pode variar de Bs600 (~100 dólares) a mais de 500 dólares. As opções mais caras incluem maior conforto e privacidade. Se você não se importa com isso, posso dizer que um valor justo para o tour varia entre Bs600 e Bs700. O que é importante saber é que além deste custo você também terá gastos adicionais ao longo do caminho, conforme tabela ao lado. ​

5. COMO É A ESTRUTURA PARA DORMIR?

Quem optar pelos pacotes mais baratos não deve esperar por conforto e muito menos por privacidade. Como eu estou acostumada a ficar em hostels e até acampar, achei as hospedagens bem justas para o valor que pagamos. Para quem sai de Uyuni, a primeira pernoite é em um hotel de sal, bem próximo ao salar. Os quartos são duplos, o banheiro é compartilhado entre todo mundo e há a opção de banho quente por Bs. 10 (o que eu particularmente adorei!). Já na segunda noite ficamos hospedados em um refúgio em frente à Laguna Colorada. Os quartos no refúgio são compartilhados entre todos que estão no mesmo carro, ou seja, 6 pessoas. Nessa noite não há chuveiro (nem frio), não é possível carregar nenhuma bateria (porque não existem tomadas) e foi uma das noites mais frias de toda a viagem. ​

6. A COMIDA É BOA?

A comida vai depender 100% do seu motorista, que é quem compra os ingredientes e cozinha. Se você tem alguma restrição alimentar recomendo mencionar assim que fechar o pacote. Eu particularmente comi super bem em todas as refeições. Para ser sincera, acho que foram as melhores refeições que tive na Bolívia e incluíram mate quente, macarrão, frango, batata, sopas, quinoa, vegetais e tivemos inclusive a oportunidade de experimentar lhama. ​

7. O QUE LEVAR?

* Garrafa(s) de 2 litros de água (eu levei apenas uma) * Protetor solar e protetor labial (o reflexo do sol no salar queima muito!) * Roupa de frio (na época em que fui - abril - a temperatura chegou a 0º durante a noite) * Lanterna (no retiro em que ficamos na segunda noite não havia luz no banheiro) * Lenço umedecido (acredite, será muito útil!) * Bateria extra para celular/máquina (na segunda noite não há tomadas no hotel) * Traje de banho e toalha (para aproveitar as águas termais) * Baralho (na segunda noite nós chegamos 17h no hotel e não saímos mais.. um baralho fez falta) * Vinho (eu nem gosto de vinho e mesmo assim diria que ele é quase essencial para esquentar as noites frias. Meu grupo acabou comprando por lá mesmo, mas o mais barato era Bs 40)

8. COMO TER UMA EXPERIÊNCIA INCRÍVEL?

É claro que todas as dicas acima são úteis e que você pode considera-las na hora de ir ao Salar. Mas também é verdade que todas as agências fazem praticamente o mesmo roteiro, a comida servida é a mesma (com exceção dos banquetes dos tours de 500 dólares) e a pernoite de todo mundo será nos mesmo lugares. O que pode diferenciar uma boa experiência de uma não tão boa assim, então? É simples! No fim do dia a regra de ouro para ter 3 dias sensacionais é uma combinação de 3 coisas: a segurança do carro, um bom motorista/guia e quem está no carro com você (principalmente se está viajando sozinho). ​

Grupo no Salar de Uyuni

Grupo do Salar Uyuni com o guia Jedi

Noite de vinhos no Salar de Uyuni

No carro em que eu fui éramos em 6 pessoas: o Mathia - um italiano que está dando uma volta ao mundo- , dois poloneses e dois irmãos brasileiros (Flavia e Lucas). Tenho certeza que ter essas pessoas como companheiras de viagem e ter o Jedi como nosso motorista foi o que deixou tudo incrível. O Lucas e a Flavia acabaram se tornando verdadeiros companheiros de viagem inclusive nos próximos destinos. É por isso que eu sempre digo: viajar sozinha é muito diferente de ficar sozinha. ​

DICAS EXTRAS (para quem optar por Uyuni como base)

Não há muito o que fazer em Uyuni, além de ser a principal base de saída do tour ao Salar de Uyuni. A minha recomendação é fazer como fiz: chegar no dia anterior ao tour, dormir 1 noite em Uyuni e viajar ao seu próximo destino no mesmo dia que retornar do tour (retornamos a Uyuni por volta de 18h30). É claro que isso depende de onde você estará vindo e para onde irá. No meu caso, saí de Potosi e fui a Uyuni pela empresa de ônibus Quijarro, pagando Bs. 30. Cheguei por volta de 20h e todas as agências já estavam fechadas. Procurei por um lugar para passar a noite e acabei ficando no primeiro lugar que entrei. O lugar se chama Backpackers Piedra Blanca e fica na praça principal, onde tem vários restaurantes e mercados. Paguei caro (Bs. 70 por uma noite) e mesmo assim valeu super a pena. Tive banho quente, Wifi e um bom café da manhã. O meu próximo destino era La Paz e pela primeira vez na viagem achei que era uma boa ideia reservar algo com antecedência. Comprei a passagem de ônibus antes de sair para o tour, pela empresa Imantani, que pareceu ter o melhor custo/benefício. Como as coisas na Bolívia não costumam seguir muito o planejamento, acabei em cima da hora trocando de empresa e fui a La Paz pela Trans Omar, que custou mais caro (Bs. 150) e é muito confortável (recomendo!). O motivo para eu ter trocado de empresa? Contarei em breve...

#AméricadoSul #Bolívia #Natureza #Aventura #Favoritos

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Ana Carolina Ussier

Uma mulher viajante, com sol em aquário e lua em sagitário. Tenho muitas versões: engenheira por formação, gerente de projetos por convicção e dançarina por vocação, mas acima de tudo uma grande incomodadora inconformada. Apaixonada por inclusão social e pelo universo feminino. Vivendo pela África Ocidental desde 2017, agora sem residência fixa.

 

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