• Carol Ussier

Potosi: la tierra de la plata


O terceiro dia da viagem começou na rodoviária de Sucre, aguardando o ônibus para Potosi, pois perdi o primeiro ônibus (sai 7h da manhã). Depois de 3h na sala de espera ouvindo dezenas de pessoas tentando vender passagens e gritando "potosiii, potosiiiiii" ou "uyuniiiiii", finalmente partimos. Uma dica importante sobre a Bolívia é que existe uma taxa de embarque em todas as rodoviárias. Se você não precisar colocar mala no bagageiro, normalmente é possível pegar os ônibus fora da rodoviária e economizar um pouquinho. ​

A estrada entre Sucre e Potosi é muito bonita e eu realmente gostei de ter feito este trajeto durante o dia. São 3h30 na estrada e na maior parte do tempo estamos subindo entre os 2.800m de Sucre e os 4.070 de Potosi, passando pelo meio das montanhas. ​Assim que chegamos na cidade o ônibus parou em um posto de gasolina e todo mundo desceu, com exceção de um casal de argentinos e eu. Já achei que era o ponto final e comecei a arrumar as minhas coisas também. ​

Estrada entre Sucre e Potosi

Não era!! Não caia nesta pegadinha também. A razão pros bolivianos descerem nesse lugar eu não consegui descobrir ainda, mas a rodoviária é um lugar grande e em formato circular, você saberá quando chegar =) Eu queria ir para Uyuni no mesmo dia e, como cheguei mais tarde do que eu tinha planejado em Potosi, acabei tendo apenas 2h por lá. Era justamente a hora do almoço e os dois lugares que eu queria conhecer estavam fechados (Casa de la Moneda e Convento de Santa Teresa). Mesmo assim, andei bastante pelo centro e vi a parte externa de várias construções coloniais. A cidade estava cheia, com muitos grupos de turistas e inclusive um "desfile de rua" acontecendo. Perguntei para uma policial porque estavam desfilando e ela me respondeu "ninguna razón". As fiestas, como são chamadas na Bolivia, são muito admiradas pelos bolivianos e uma forma comum de se divertirem (eles tocam, dançam, desfilam e bebem). Fiquei com a sensação de que todo dia um grupo diferente desfila. Almocei em um restaurante de frango frito ao lado da Casa de la Moneda. A comida era gostosa e bem barata e, como eu ainda não sabia que comeria frango frito com batata-frita o resto da viagem, fiquei feliz. Foi neste restaurante também que eu vivenciei pela primeira vez a miséria do país: uma mãe com roupas típicas (cholita) e sua filha pequena entraram no restaurante e pararam ao lado da minha mesa, olhando para a minha comida. Elas não falavam nada em espanhol e só apontavam para o meu prato. Não dei nada, pois acredito que existem outras e melhores formas de ajudar (inclusive trabalho com este tema). Quando me dirigi ao caixa, para pagar, reparei que as duas ainda estavam no restaurante, sentadas no chão. Assim que eu passei pela minha mesa, a menina pequena correu em direção ao meu prato e pegou os "restos" do frango, que eram literalmente apenas ossos. Eu quis chorar. Já eram quase 3h da tarde e eu não queria chegar muito tarde em Uyuni. Por isso, depois de andar mais um pouco, resolvi ir para a rodoviária. Se você vai para Uyuni depois de Potosi é importante saber que os ônibus para lá saem de um terminal diferente, conhecido como "ex terminal". Existem muitos ônibus coletivos que passam por ele, super fácil. Eu peguei um ônibus que estava cheio de mulheres com roupas tradicionais e fiz amizade com uma senhorinha que queria saber mais sobre o Brasil e por que eu estava lá. Ela trouxe a alegria de volta para o meu dia =). Chegando ao ex terminal, descobri qual era o primeiro ônibus que iria para Uyuni e acabei optando pelo da empresa Quijarro, pois o vendedor me pareceu mais honesto. O ônibus era comum, sem ar-condicionado (e para ser sincera, não precisava), havia música o tempo inteiro em um alto-falante (o que eu particularmente gostei!) e pelo preço que paguei (Bs. 30) era confortável o suficiente para aguentar 4h de estrada. É claro que existem opções mais confortáveis e mais caras, vai mais do gosto e possibilidades de cada um. Foi assim que "conheci" Potosi em duas horas =).

E VALE A PENA VISITAR POTOSI?

Para mim a passagem por Potosi foi importante e se eu fizesse meu roteiro novamente não a descartaria, mesmo ficando apenas algumas horas por lá. A primeira razão eu já mencionei anteriormente: a estrada entre Sucre e Potosi é muito bonita e tirou o meu fôlego algumas vezes. Além disso, Potosi está entre as 30 cidades mais altas do mundo ( 4.070 m) e eu queria me aclimatar por ali antes de seguir para o Salar de Uyuni. Assim como Sucre, a cidade é bem aconchegante e se você tiver mais tempo do que eu talvez valha a pena dormir pelo menos uma noite nela. Coisas que você pode fazer em Potosi: - Visitar as minas do Cerro Rico: é possível fazer um tour pelas minas de prata do Cerro Rico, que já foram as minas mais importantes do mundo. Eu fiquei com muita vontade de conhecer, porém não queria financiar uma atividade que até hoje explora os trabalhadores (há histórico de trabalho infantil, abusos e condições péssimas de trabalho). Mas todo mundo que faz esse passeio gosta muito e diz que foi uma experiência "chocante" e marcante. ​ - Casa de la Moneda: o tour guiado dura 2h e dizem que você sai de lá expert em história boliviana. Foi uma dica do meu host em Sucre, que é boliviano e me disse "Tienes que conocerlo!" ("Você precisa conhecer!). - Convento de Santa Teresa: além de ter uma arquitetura muito bonita e muitas obras de arte em seu interior, é possível subir no telhado e tirar fotos lindas de Potosi vista de cima. ​

Potosi, com o Cerro Rico ao fundo (totalmente explorado pela mineração)

Fiesta acontecendo aparentemente sem motivo específico

DICAS PRÁTICAS

TRANSPORTE: Os melhores ônibus de Sucre para Potosi saem normalmente às 7h e às 10h da manhã e o trajeto dura cerca de 3h30. Eu fui pela Trans Emperador e recomendo (veja todas as opções de horários na imagem ao lado). A passagem custou Bs. 20. Em Potosi, faça tudo a pé ou utilize os ônibus coletivos. ​

Para mais dicas sobre custos e empresas de transporte, faça o download da minha planilha completa de gastos aqui. SIESTA: Assim como em Sucre, muitos lugares praticam a famosa siesta em Potosi, ou seja, fecham na hora do almoço. Isso significa que se você planeja visitar a Casa de la Moneda ou o Convento de Santa Teresa, por exemplo, deve fazer isso antes das 12h ou então esperar até 14h, quando reabrem. ​

#AméricadoSul #Bolívia #Cidades

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Ana Carolina Ussier

Uma mulher viajante, com sol em aquário e lua em sagitário. Tenho muitas versões: engenheira por formação, gerente de projetos por convicção e dançarina por vocação, mas acima de tudo uma grande incomodadora inconformada. Apaixonada por inclusão social e pelo universo feminino. Vivendo pela África Ocidental desde 2017, agora sem residência fixa.

 

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